12:31

PRODUÇÃO FONOGRÁFICA INDEPENDENTE

Postado por malu aires

ETAPAS BÁSICAS E RESUMIDAS DA PRODUÇÃO FONOGRÁFICA

As bandas estão produzindo mais discos. Como audiófila esta é uma grande notícia. E o que fazer e como, trazem algumas dores de cabeça que só chegam depois que o disco já está "pronto". Quando um disco está finalizado e como começar o trabalho? É o que vamos discutir aqui.
AS ETAPAS DA PRODUÇÃO
Pra começar este assunto, vou dividir em 4 as etapas de produção:
1. Produção Executiva;
2. Produção Musical;
3. Produção Artística;
4. Produção Fonográfica.
Todas estão intertligadas e todas se comunicam. As grandes gravadoras, como as mencionamos, têm departamentos distintos com uma filosofia mercadológica comum.
Os independentes, inseridos no mercado virtual, entram no estudio, pegam o disco com o técnico e colocam no myspace.
Os independentes inseridos no mercado físico têm outras preocupações.
O resultado final do disco, carrega uma estética autêntica. Assinada pelo próprio autor/criador.
É dele a responsabilidade pela Produção Musical
- Quais músicas gravar.
- Arranjo de cada canção.
- Montagem do álbum.
Pouco capital e capital próprio, são um coquetel molotov na mão de muitas bandas independentes.
Sendo o capital empregado da banda, é dela a responsabilidade pela Produção Executiva.
- Quanto investir.
- Como calcular e administrar os custos.
- Qual estúdio alugar.
- Montagem de cronograma de trabalho/planilha de custos.
A arte do disco também é um trabalho à parte. A cor, o tamanho, o layout são escolhidos pela banda. A Produção Artística é dirigida por alguém da banda, ou um designer (contratado ou convidado) para assinar essa responsabilidade, de acordo com o cronograma de trabalho/planilha de custos.
E quando o disco tá gravado, a master na mão da banda, a arte gráfica em corel, como produzir o disco?
Entra em trabalho a última etapa. Falamos da Produção Fonográfica.
Ela é a mais importante e mais complexa.
Vou dividir em três as possibilidades de produção fonográfica:
- Aquela que autoriza a produção em série em Manaus;
- Aquela em pequena tiragem (até 500 cópias);
- Ou aquela que sai da master e vai pra web.
Em cada uma das três formas de produção Fonográfica descritas, temos um bando de perguntas e respostas que nos farão chegar no cálculo final.
Perguntas como:
1. Formato do disco - Single (duração de 05 a 15 minutos , somente uma faixa), EP (duração de 15 a 35 minutos, entre 4 a 8 faixas) ou LP/long play/album (duração de 30 a 70 minutos, com no mínimo 8 faixas)
2. Custo da produção
3. Documentos e informações para a encomenda da produção em Manaus
deixam qualquer um de cabelo em pé. Para Manaus, com tiragem mínima de 1.000 cópias, a fábrica solicita a master com o ISRC (International Standard Recording Code, ou em português, Código Internacional de Normatização de Gravação).
A terceirização feita por empresas locais, facilitam e direcionam as exigências dos padrões de produção.
Tudo pode ser encomendado à empresa terceirizadora (correção de sangramento do layout, inserção de código de barras para o produto, dentre outros), MENOS O ISRC.
O código impresso em cada faixa do disco é o registro de autoria e direitos (inclusive de prensagem) do produto criado.
Para explicar melhor o que significam estas quatro letras juntas, fizemos um Fórum em agosto de 2008.
O propósito do Fórum foi o de inserir os autores no universo da produção fonográfica independente. O que os possibilita a geração destes códigos e a encomenda de grandes tiragens em Manaus. Também dá aos autores e intérpretes do disco, toda a segurança de criação e participação na obra, assegurando os direitos de autoria, interpretação, edição e prensagem em todo o território nacional e internacional.
Independente do formato a ser lançado, inclusive na web, somente o ISRC assegura sua existência fonográfica e os direitos lançados sobre sua propriedade (inclusive ceder ou vender). Leis, normas, participações e responsabilidades, também foram discutidas no Fórum. Não preciso adiantar que o tema é complexo.
PREVISÃO E LEVANTAMENTO DE ORÇAMENTOS E CUSTOS
Cada banda, cada qual com suas possibilidades financeiras, resolvem a melhor forma de produzir o seu disco.
Capas em 2 cores, formatos slim, compilação de 4 bandas juntas num disco só, números de guitarras a serem gravadas, tempo para cada instrumento finalizar sua participação no disco, estúdio escolhido, tempo de ensaio, são respostas que conduzirão a produção do disco, fazendo com que ele custe o preço que deva custar, ou o que você tem pra gastar.
Como o dinheiro responde muitas destas questões, a conta certa é aquela que chega até o final. A banda tem X pra gastar e organiza a distribuição da verba.
O que não altera muito é o custo que a banda tem pra arcar com a prensagem.
Para o formato SMD o custo é de R$2,30 por unidade para 1.000 cópias (em media).
Para o formato CD o custo é de R$3,00 por unidade na tiragem mínima de 1.000 cópias (em media).
Para os manufaturados, até 50 cópias, o custo sai até a R$4,20 (em media). No mínimo, três orçamentos são necesssários, neste caso. A confecção da capa e contra-capa não está inclusa e as gráficas rápidas também apresentam custos variados.
Existem algumas empresas que fazem duplicações a custos interessantes e que entregam o disco montado e lacrado. É uma boa alternativa.
Agora, muito cuidado e atenção! A velocidade empregada em algumas máquinas, por algumas destas empresas, pode danificar em até 80% de toda a produção encomendada.
A master deve estar em perfeitas condições e deve ser testada antes de entregue ao duplicador para evitar dor de cabeça depois.
A arte deve exigir prova de teste, para que sua capa e silk saiam exatamente como planejou.
Formatos como o vinil, ainda não estão disponíveis no país, mas podem ser encomendados na Europa. Com a reativação da única fábrica, no Rio de Janeiro, poderemos ter uma noção exata dos custos e até levantar questões como os cuidados técnicos básicos em estúdio para a saída de uma boa master para este formato.
GRAVAÇÃO
Bem, a banda já sabe o quanto tem e precisa de uma média de custos de gravação.
Isso também depende dos valores empregados por cada estúdio. O que pode ser previsto é o tempo empregado em estúdio.
Calcula-se o tempo médio de 01 período (4 horas) por instrumento/instrumentista a ser gravado, para um disco de 10 faixas (LP). Este cálculo se baseia em instrumentos que sejam executados em todas as faixas do disco.
Para instrumentos com execução em uma ou duas faixas em 10, calcula-se 1 hora para cada música.
Parece uma conta esquisita, mas é muito comum gastar-se esse tempo para uma nova timbragem, nova microfonação e para a execução sem aquecimento. Claro que existem casos, onde 1 minuto resolve aquele back vocal. Coisas pequenas são deixadas para o final, quando ocupam, geralmente, sobras de tempo de estúdio.
Também calculamos 01 periodo para dobras de instrumento. Ex.: dobras de guitarra ou vocalizações.
O importante é que no cálculo final a banda utilize menos tempo que o previsto. Ou corre-se o risco de ficar presa no estúdio porque não planejou o tempo de gravação.
É muito possível que a banda consiga terminar a etapa de gravação em 5 períodos. Parece radical, mas que com a organização é possível e passivo de bons resultados.
MIXAGEM
Depois de gravado, vamos mixar o disco.
Durante a gravação, a banda deve ter tido o cuidado da sinkagem (tocar no tempo) e do menor número de correções para a mixagem (executar com excelência os instrumentos).É muito comum, acharmos que afinação, tempo, timbragem são corrigidos pela "máquina". Além de falso (quando não, com emendas grosseiras), o resultado final de interpretação deixa a desejar e o custo eleva em 200% durante a mixagem/edição.
Prefiro contar com os custos para instrumentistas de execução excelente - resultado de uma pré-produção (ensaios e arranjos) bem detalhada.
Há casos em que as "máquinas" cantam pra artistas, que não existiriam sem elas. Há bandas que não ensaiam com metrônomos e que dificultam todo o processo de mixagem.
Em bons casos, estipula-se de 1 a 1/2 período por música mixada.
MASTERIZAÇÃO
Abbey Road Studios, UK A masterização é um trabalho à parte e o acerto deste trabalho depende de técnico a técnico e de estúdio para estúdio. Mas prevemos que um bom engenheiro resolva o trabalho em 2 períodos. Entregue a "master", esta deve ser testada em vários aparelhos com volume médio (nem baixo, nem alto). Aparelhos microsystem (caseiros), DVD´s (com som sterio) e automotivos (os toca CD´s/DVD´s de carro) dão resultados sonoros diferentes dos ouvidos no estúdio.
Guillaume Tell, Paris
Compare com outros discos sem alterar o volume e discuta com seu técnico, caso seja necessário refazer o trabalho, antes de enviar para prensagens ou duplicações. No final, o custo do período de gravação dá o resultado desta conta, se pensarmos no mínimo de gasto proposto:
Gravação: 5 X $ do período Mixagem: 5 X $ do período Masterização: 2 X $ do período ou técnico
Quad, USA Caso a banda não execute estas três etapas em seqüencia. Por exemplo, resolva gravar e aguardar mais uns meses pra mixar (acabou a verba agora) é imprescindível que levem consigo um backup de todo o material gravado em tracks separadas.
Em muitos casos, a banda sai com uma pré-mixagem e quando volta, o material foi deletado porque o estúdio precisava de espaço no HD. Nessa situação terrível, todo o trabalho é perdido e se começa do zero.
O universo da produção fonográfica é infinito em possibilidades e bem diversificado em temáticas. Vamos falar sobre ele, ainda muitas vezes neste Blog.
Ao final, o que importa é que o disco seja audível, quando independente.
máquina de prensagem de vinil
Fontes e links úteis:
COLUNA PRODUÇÃO FONOGRÁFICA INDEPENDENTE por Malu Aires
Produtora Musical e Fonográfica Independente (SOCINPRO)

4 comentários:

Pedro Cassini disse...

Excelente iniciativa, espero que as bandas leiam esse post e aprendam mais! Valeu BH Indie!

Cassini
Circular 01

Filipe Gustavo disse...

Pqp!!! Indispensável o conhecimento desse post.

Muito obrigado!!!
Filipe // Severa

Marques disse...

Qual o endereço da Zona Manaus para enviar o trabalho Musical? Poderia me dizer como fazer isso?

Eddie Drummer disse...

Muito boa a matéria! Enviei p/ minha banda...

Postar um comentário

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More